05/03/2013
A maioria dos Passarinheiros não chega a lugar nenhum em suas criações porque formam mal
o seu plantel, efetuam cruzamentos a ermo sem fundamentar os seus objetivos nas características
portadas pelos pássaros do plantel e instruem inadequadamente os filhotes. É como tirar “Leite de
Pedra”. Ora, nós sabemos que as pedras não dão leite. Todo o plantel deve ser formado em função
das reais características portadas pelos seus membros e os cruzamentos devem ser efetuados,
tomando por base estas características, senão tendemos a nos transformar em meros “Multiplicadores”
e nada mais. Sabemos que os filhotes de Curiós vetorizam o canto da espécie entre o 16° (décimo sexto) e 30 (trigésimo) dia de vida, ainda dependentes dos pais. Sabemos ainda que após a sua Vetorização os filhotes ficam independentes destes e agrupamse em bandos para exercitarem o corrichado (conjunto de exercícios vocais para desenvolvimento dos músculos seringiais) até o surgimento da muda de ninho que ocorre aos 120 dias de nascido. Após a muda de ninho ou mesmo antes desta surgem os primeiros assovios do canto vetorizado iniciando-se a fase de lapidação, acompanhamento e manutenção efetuada de forma individual, caso a caso, com o emprego dos CD-R de Instrução.
Este pequeno resumo da infância do Curió foi para salientar que esta é a época mais
importante da sua vida sobre o aspecto didático, é ai que o canto é vetorizado e desenvolvido
adequadamente, portanto devemos nos prender a esta fase decisiva do ensino do canto, pois um
descuido nesta fase bota um campeão a perder.
Temos observado que durante a vetorização do canto melhores resultados tem-se conseguido
quando não se expõe os filhotes a instruções de canto duradouras e dotadas de muitas repetições de
canto. Melhores resultados são conseguidos com instruções breves e descontínuas com cantadas de
apenas 3 (três) repetições. As tentativas de uso de apenas uma repetição confundem o Canto de entrada com o Canto de Saída e leva o pássaro a vetorizar os dois movimentos do canto como módulo
de repetição ou seja, passa a repetir Entrada de canto e Módulo de Repetição juntos como se fossem
ambos o Módulo de Repetição, é portanto aconselhável que se inicie com uma cantada de 03 (três)
repetições evitando o vício de incorporar o Módulo de Repetição com a entrada de Canto e usa-los
como módulo de repetição. Este defeito de estrutura de canto é facilmente evitado quando se elimina a
instrução de Vetorização contendo apenas uma repetição, para depois ministrar Instruções com várias
repetições, pois, nem sempre o filhote dotado de genética para repetição e canto longo assimila
mudanças extensas na instrução já vetorizada.
O Autor
Gilson Ferreira Barbosa