02/03/2013
O Corrichado & Seu Desenvolvimento.
Teremos de considerar vários aspectos que normalmente surgirão durante a
“Época do Corrichar” e que interferirão no desenvolvimento do corrichado. O problema
a meu ver resume-se em entendermos o porque do Corrichar, e como desenvolve-lo
corretamente para atingir suas finalidades e objetivos. Esta fase, excluindo-se o
processo de Vetorização do canto, é sem dúvida a mais importante e complexa entre
todas no desenvolvimento e formação do canto Vetorizado nos filhotes dos Curiós. O
Corrichar nada mais é que um conjunto de exercícios de vocalização com vistas ao
desenvolvimento da Seringe órgão responsável pelas vocalizações dos elementos
sonoros (assovios) Vetorizados no filhote, portanto se constitui etapa pós-vetorização
e deve manifestar-se no período compreendido entre a Vetorização do Canto e a Muda
de Ninho aos quatro meses de idade.
Vejamos:
1. Filhote que corricha pouco o faz por se encontrar isolado
Em um ambiente desprovido de estímulos tais como um rádio ligado, CD-R
intercalado com som de Cachoeira e água corrente, gravação de outros filhotes
corrichando etc. São nesta fase, indispensáveis ao estimulo do “Corrichado”.
2. Sabemos que o temperamento extrovertido e irrequieto, alegre e brincalhão
(pois os filhotes de Curiós “Brincam” como se fossem crianças) dos filhotes, tem
nos levado a equipar a sua gaiola com elementos ocupacionais experimentais
reduzindo sensivelmente o Stress, caso contrário corricham pouco e buscam
ocupar-se todo o tempo brincando com:
• O comedouro, jogando fora às sementes proporcionando um alto índice
de desperdício das mesmas.
• O bebedouro, proporcionando um alto consumo de água (está sempre
vazio), pois se excitam ao jogar fora a água.
• Jogam fora todo o “Grite” que disponibilizamos em sua gaiola.
• Rasgam e puxam o papel do fundo com muita freqüência.
• Destroem a capa da gaiola puxando as costuras internas, promovendo
às vezes o enroscamento do seu bico, pernas ou língua, bem como
engolem fiapos de tecido ou mesmo linhas provocando às vezes a sua
morte. Devemos usar capas pespontadas e desprovidas de costuras
internas e fiapos que se soltam ao serem puxados.
• Costumam entediados atirar-se com certa violência contra o tabuleiro
da gaiola, tal prática chega a nos assustar.
• Praticam acrobacias do tipo “Salto Mortal” e alçam vôos em círculos
saindo pela tangente.
• Brincam e até brigam com o “osso de Ciba” e “dorminhoco” provocando
às vezes acidentes com o enroscamento da anilha no elemento de
fixação do asso de ciba nas “Talas” da gaiola.
• Costumam entrar em vasos de boca estreita e utilizados como porta
“Tiririca”. Se não forem socorridos a tempo morrem.
• Alguns vitimados pelo Stress entram no compartimento do cocho
escondendo a cabeça por baixo das extremidades do mesmo quando os
removemos para limpeza. (Baixar o volume da instrução de canto nestes
casos).
• Apresentam DPA – Distúrbio de Plumagem e viciam em comer os
canhões das penas, uma vez instalado o DPA o filhote atrasa todo o
processo do Corrichar.
Os aspectos por nós observados são vários, citei apenas alguns para
exemplificar o pouco “Corrichado” em filhotes que se estressam entediados por falta de
uma Terapia Ocupacional. Terapias ocupacionais nesta fase são estimulantes do
Corrichado. “Filhotes de curiós brincam como crianças” e nós precisamos disponibilizar
alguns brinquedos para que brinquem e cumpram o “Corrichar” com êxito e bom
desenvolvimento.
O fim do Corrichado caracteriza-se pelo surgimento dos primeiros assovios, se o
filhote não cumpre com êxito o Corrichar retardará os assovios, pois não desenvolveu
convenientemente a “Seringe” (membranas e músculos seringiais) ainda antes da
muda de ninho, por motivos anteriormente mencionados. Podemos afirmar que esta
fase é a mais importante na vida de um Curió, pois é o momento em que o canto
Vetorizado começa a se manifestar e precisa ser bem conduzido sem interrupções ou
traumas que venham inibir as emissões e desenvolvimento dos primeiros elementos
sonoros.
O pós muda de ninho deve ser caracterizado pela ausência de corrichados e
presença apenas de assovios. Nesta fase encontramos uma diversificação enorme de
comportamentos (que no momento estamos pesquisando e catalogando) proveniente
de um maior ou menor desenvolvimento Seringial. O pós muda caracteriza-se pelo
surgimento e desenvolvimento do temperamento que não deve ser retardado sobre
pena de colocar em risco todo o desenvolvimento canoro do filhote.
Os aspectos do pós “muda” observados em filhotes Tecnicamente Vetorizados
com ou sem a completa conclusão do “Corrichar” leva-nos a um vasto elenco de
observações que fogem ao nosso propósito no momento, contudo registrarei o fato de
que alguns filhotes continuarão a corrichar no pós muda cumprindo desta forma
(tardiamente) o desenvolvimento Seringial.
Num segundo grupo estão aqueles filhotes que continuarão os assovios até
externar totalmente a mensagem canora Vetorizada. Estes cumprirão o corrichado com
bastante êxito e serão “Melhores Cantores”.
Num terceiro grupo encontramos aqueles filhotes que embora tenham concluído
ou não o corrichar e apresentavam antes da muda de ninho a emissão de algumas
notas assoviadas. Concluída a muda retornam ao Corrichar e permanecem nele por
três meses aproximadamente como se tivessem que retornar ao início do processo. É
como se o desenvolvimento da seringe fosse eliminado durante a muda e estes filhotes
são tardios e normalmente pouco desenvolvidos. Registramos ainda a presença deste
retrocesso no desenvolvimento Seringial de alguns Curiós que, depois de concluída a
primeira muda de Preto “Muda Anual” retornam ao Corrichado como se tivesse
esquecido tudo, e o repetem integralmente, apenas apresentando um desenvolvimento
mais rápido.
Este Texto tem como objetivo chamar a atenção dos criadores para o Corrichar
e ajudar o entendimento deste complexo processo. Conhecedores do processo podem
interferir com competência quando se fizer necessário. Antecipei neste texto alguns
aspectos sobre Terapia Ocupacional dos filhotes de Curió “Os Filhotes Brincam” que no
momento encontra-se como sendo a minha principal preocupação no sentido de
entender as relações com o corrichar.
Tenho tido informações de vários companheiros que adotaram o nosso método
(Vetorização de Canto em Filhotes de Curiós) e que já estão colhendo excelentes
resultados, acredito que no decorrer deste ano 2002 teremos alcançado um alto índice
de aprendizado até então nunca atingidos pelos criadores iniciantes. Espero estar
vivendo o início de um “Novo Momento da Criação Doméstica Do Curió”.
O Autor
Gilson Barbosa – BA.
gilsonferreirabarbosa@hotmail.Com